VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA

Correio Do Autor

assuncaopontopaulinhoarrobagmailpontocom

quinta-feira

[RAPSÓDIA PARA LÁPIS E ABISMO]

[com o lápis cego e o papel mais tosco, 
e mais áspero, vamos pela tarde 
experimentar certas funduras de abismos.

o engenho é uma ponte pênsil, dá gosto
o desaprumo de margem a margem, de vértigo
a vértigo, tantas cidades dentro da cidade.

o lápis lança-de-quixote vai em riste
de grafite, somos tão mínimos, menores
do que nossos sapatos, nossos ternos tristes.

a pequeneza das pupilas dos mosquitos, os ursos
e os javalis de praça em praça, os filósofos,
as cantoras de cabaré, os comícios, o luto

de mães que vestiram a roupa pelo avesso,
o riso de pais que estão no beco, justo
na lua-lama que se formou dentro de um poço.

com o lápis cego e o papel mais tosco,
e mais áspero, eis que vamos pela tarde
experimentar certas funduras de abismos.

e há, por fim, os senhores limpos, com lírios no peito,
balsâmicos passaredos em seus autos, seus óculos
de desrutilar o rútilo, seus vidros espanta-medo.]

Nenhum comentário:

Postar um comentário