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sexta-feira

[VALÉRY, DEGAS, MALLARMÉ]

[imensa era a admiração de paul valéry
por edgar degas. o poeta de cemitério
marinho definia o pintor como homem
de engenho, de inteligência singular.

quando valéry conheceu degas, este vivia
na rua victor-massé, em sobrado de três
andares. no primeiro, havia um museu
com obras que degas reuniu ao longo

da vida. tinha corots, delacroix, ingres.
no segundo, vivia o pintor, em espaço
coberto pela poeira, com as paredes
cheias de esboços, um bricabraque

de objetaria e maravilhamento. por fim,
no terceiro andar, ficava o ateliê de degas,
seu santuário de criação, suas tintas 
e vasilhas, as esponjas, as ferramentas.

mas valéry, nessas recordações, lança
luz sobre outra faceta de degas, qual
seja, a faceta de poeta, de meticuloso
sonetista, exigente até o desespero.

aconselhava-se com mallarmé, conforme
conta valéry. e foi do poeta do lance
de dados que degas ouviu a famosa
lição, que se tornou lema de tantos,

pelo certeiro ensinamento. degas
lutava na composição de um soneto
e recorreu a mallarmé para expressar
o fracasso, dizendo-se cheio de ideias,

mas incapaz de concluir a peça. eis então
que mallarmé lhe disse a sentença tão 
conhecida: "mas, degas, os poemas não 
feitos com ideias, são feitos com palavras".] 

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