Paul Delvaux
Choveu prismônea hoje em Belo Horizonte logo depois das sete da manhã. Em menor número na região norte, mas abundantes na região sul, as prismôneas tingiram o céu com aquela cor que lembra a romã madura, a romã entreaberta, sedutora e convidante. Alguns meninos, com pratos fundos, apanharam uma boa quantidade das prismôneas maiores, ali pelas ruas do São Lucas. No centro da cidade, entre a avenida Paraná e a rua Guarani, um homem (soube-se depois ser o contista Antônio das Nuvens) recebeu uma prismônea de dois quilos na cabeça. Se sólida fosse e não gelatinosa, a prismônea certamente seria agora chamada de prismônea assassina. Antônio das Nuvens, porém, só ficou um pouco zonzo e foi fazer o seu lanche no Café Palhares.


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