Terça-feira

QUIXOTE PROCURA A MINEIRIDADE


Max Ernest
Não era um elmo como aquele descrito por Luís de Camões: “A viseira do elmo de diamante/Alevantando um pouco, mui seguro,/ Por dar seu parecer se pôs diante/De Júpiter, armado, forte e duro”. Não, não era. Mas era um elmo de latão ou de zinco, com o qual Quixote foi pelo País das Gerais à procura da Mineiridade. De porta em porta, de casa em casa, de rua em rua, de vilarejo em vilarejo, Quixote perguntava: “E a Mineiridade?”. Ninguém sabia, ninguém soube, doida pergunta de doida pessoa, que a Mineiridade não mora mais em Minas, foi de viagem, pegou o navio, está em Paris ou Moscou, casada para alguns, solteira para outros, a Mineiridade não mora por esses nossos lugares. Vende pastel em Boston, conserta torneiras em Bruxelas, fabrica doces na Suécia. E o Quixote, incansável, de rua em rua, de porta em porta, de freguesia em freguesia: “E a Mineiridade?”. Nada. Melhor convocar o delegado para prender o perguntante. Na certa ele guarda uma bomba dentro do elmo. A Mineiridade o gato comeu. Cadê o gato? Foi ser astronauta. Cadê o astronauta? Virou deputado? Cadê o deputado? O deputado mora em Miami. E o Quixote, incansável, de rua em rua, de cidade em cidade. Nada. Nem com lupa, nem com luneta. A Mineiridade foi ser cantora em São Paulo. 

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